ACANTAMOEBA – ACANTAMEBA - ACANTHAMOEBA
Elena Gelado
Infecções por Amebas, Doenças Infecciosas
Acantameba, Córnea, Conjuntivite, Úlcera
  • Facebook ...
  • Twitter ...
  • LinkedIn ...

Conteúdo do artigo

Acanthamoeba é um protozoário, ameba de vida livre (AVL) que pode causar ceratite ou úlcera corneana no ser humano. A ceratite em humanos foi descrita em 1973, na Inglaterra, seguida por publicação nos Estados Unidos. No Brasil, Nosé e Cols descreveram os primeiros casos em 1988. Pode ser encontrada no solo, ar, rios e no mar, poeira e também na orofaringe de humanos saudáveis, entre outros. A presença das AVL está associada aos fungos, bactérias, outros protozoários e até mesmas algas, que são utilizados como substrato alimentar. As AVL não requerem um hospedeiro em seu ciclo vital ("vida livre") e as infecções são consideradas acidentais (como nos casos de meningites agudas por Naegleria sp) ou oportunistas (como as meningites granulomatosas, otites entre outras doenças causadas por Acanthamoeba sp).

 

A presença das AVL está associada aos fungos, bactérias, outros protozoários e até mesmas  algas, que são utilizados como substrato alimentar.

Consta de um citoplasma de aspecto espumoso e um núcleo.

 

                                                      acantamoeba.jpg

 

Apresenta duas formas em seu ciclo vital:  trofozoítica, forma de proliferação e movimentação, e cística, forma de resistência.

A sobrevivência do microrganismo em condições de alta temperatura, dessecação e na presença de alguns desinfetantes químicos é observada pelo encistamento do microrganismo que o torna mais resistente.

O cisto mede 15-28 µm, apresenta parede externa dupla, com junções esparsas entre as duas camadas, o que lhe confere forma poligonal.

Durante a multiplicação, locomoção e alimentação a forma biológica é a trofozoítica.

Apresenta caracteristicamente núcleo único com nucléolo proeminente, vacúolo pulsátil e do citoplasma partem projeções finas (acantópodos) de função ainda incerta, responsáveis pela denominação do gênero.

A multiplicação é assexuada por fusão binária. O microrganismo na fase trofozoítica encista-se em condições desfavoráveis do meio externo e quando privado de nutrientes permanece dormente por anos até ser exposto novamente a nutrientes, quando volta a se apresentar na forma trofozoítica

 

A Acanthamoeba apresenta crescimento em diversos meios de cultura. O ágar não nutriente é o mais utilizado pois a ausência de nutrientes diminui a proliferação bacteriana. Adiciona-se ao ágar uma camada de Escherichia coli mortas que servirá de substrato para a proliferação do parasita.

Com a incubação a 32ºC em 48h há migração da Acanthamoeba nesta camada superficial, sendo estes "caminhos" facilmente identificados. Algumas espécies apresentam crescimento mais lento e as culturas devem ser observadas por duas semanas.

 

As fontes de infecção ocular podem ser as mais diversas, como por exemplo, oceanos, piscinas, água-mineral engarrafada, mucosa nasal e cavidade oral de humanos (faringe), solo e ar.

 

Acanthamoeba produz Acanthamebiase  (infecção por Acanthameba) e causa ceratite que se caracteriza por infiltrados corneanos epiteliais, sub epiteliais (nas fases mais precoces) e estromais, únicos ou múltiplos, que freqüentemente coalescem e tomam a forma de anel.

A dor, intensa e desproporcional ao quadro clínico, são um sintoma clássico da infecção. A ceratite geralmente apresenta progressão lenta, com episódios alternados de regressão.

A úlcera severa evolui com afinamento corneano, descemetocele e eventual perfuração e endoftalmite.

A ceratite por Acanthamoeba pode ser confundida como ceratite herpética, levando a atrasos no tratamento que favorecem a progressão da infecção..
 Nenhuma droga ou combinação de drogas é realmente eficiente no tratamento dos casos de ceratite por Acanthamoeba. Os trofozoítos são mais susceptíveis aos agentes antimicrobianos que os cistos, altamente resistentes, dificultando o tratamento clínico da doença. Além disso, espécies e cepas diferentes, com variadas resistências, estão envolvidas, tornando difícil à identificação de uma ou mais drogas efetivas a todas

O uso de todos os tipos de LC já foi associado a ceratite por Acanthamoeba, sendo que o maior risco está entre os usuários de LC gelatinosas de uso diário e de uso prolongado, e menor  comparando aos usuários de lentes rígidas e RPG. .

A infecção corneana pela ameba é mais freqüente em usuários de lente de contato.  A análise do material utilizado por pacientes portadores de ceratite por Acanthamoeba, demonstrou a presença de fungos e bactérias (substrato para o microrganismo) e o uso freqüente de solução salina de diluição caseira ou não preservada, contaminada com a ameba.

Também incide mais em pacientes que praticam esporte aquático ou que permanecem muito tempo em banheiras aquecidas com as lentes colocadas, e naqueles que as esterilizam menos freqüentemente. apesar da existência de alguns casos relacionados ao trauma ocular.

 O papel da lente de contacto como fator desencadeante da ceratite é relacionado à capacidade das amebas aderirem à superfície da lente e, posteriormente, à superfície da córnea, por onde penetram, causando a infecção, mas também há contaminação em NÃO usuários de lentes de contato.

Os achados biomicroscópicos na fase precoce da infecção são erosões epiteliais pequenas, edema microcístico envolvendo o epitélio corneal, conferindo a este um aspecto grosseiro em regiões esparsas, e nem sempre se detectam áreas desepitelizadas com o corante fluoresceína no início do quadro. Alterações do epitélio ocorrem na progressão da infecção, que podem apresentar-se com lesões na forma de um dendrito (pseudodendrito), ceratite ponteada ou defeito epitelial verdadeiro.

A ceratite amebiana progride lentamente quando comparada à evolução de outros agentes infecciosos o que pode estar relacionado com a velocidade de multiplicação deste microrganismo que é mais lenta do que a de outros agentes infectantes

 

Cornea.jpgulcera.pngLeucoma.jpg

 

Fase precoce da infecção – Fase em que se  parece  com Herpes        Fase avançada da infecção

 

A comprovação laboratorial da etiologia amebiana é obtida através do raspado corneal para a realização de esfregaços e cultura. Dados adicionais podem ser obtidos através da análise de todo o material utilizado no manuseio, desinfecção e armazenamento das LC. A identificação de AVL neste material é controversa em relação à confirmação da etiologia da ceratite.

 

ESTUDOS CLINICOS  -  LENTES DE CONTATO:

 

Os primeiros casos da doença ocular estavam relacionados ao trauma ocular, porém com o uso das  lentes de contato, principalmente as gelatinosas, foi verificado que pode ser um fator predisponente a ceratite por Acanthamoeba. O risco torna-se menor com o uso de lentes Gás Permeáveis.

A associação entre o uso de LC e ceratite por Acanthamoeba foi descrita em 1984. Inicialmente o principal risco descrito foi o uso de LC em ambientes com água e o antigo uso de solução salina de diluição caseira na assepsia daslentes. Atualmente o risco está minimizado com os produtos existentes no mercado.

Já se demonstrou que a Acanthamoeba pode aderir-se às lentes de contato e estojos usados para na sua manutenção.

A infecção é na maior parte dos casos unilateral, ocasiona fotofobia, lacrimejamento e dor importante, e  fase precoce da infecção apresenta pequenas erosões epiteliais, edema microcístico envolvendo o epitélio corneal, dando um aspecto grosseiro em regiões esparsas. Alterações do epitélio ocorrem na progressão da infecção, que podem apresentar-se com lesões na forma de um dendrito (pseudodendrito), ceratite ponteada ou defeito epitelial verdadeiro. A limbite é um achado comum nas fases precoces e tardias da infecção. A presença de hipópio não é freqüente, sendo mais observado em casos graves ou avançados e em situações em que ocorre toxicidade com a medicação tópica instituída. A ceratite amebiana progride lentamente quando comparada à evolução de outros agentes infecciosos o que pode estar relacionado com a velocidade de multiplicação deste microrganismo que é mais lenta do que a de outros agentes infectantes, ou ser decorrente de uma barreira corneal mais eficaz para este agente.

O infiltrado perineural radial é bastante típico da infecção por ameba, apesar de já identificado em pacientes com ceratite por Pseudomonas sp. Estes infiltrados podem significar a migração de trofozoítos pelos nervos que são utilizados pela Acanthamoeba para a sua disseminação. A sensibilidade corneal está diminuída na maioria dos pacientes  o que também leva à confusão diagnóstica com a ceratite herpética.

Infiltrados subepiteliais pequenos e esparsos são freqüentes nas ceratites amebianas sendo considerados reação imune aos antígenos amebianos.

Na fase tardia da infecção estão tipicamente presentes o defeito epitelial e a opacidade estromal. A neovascularização não é freqüente, mas tem sido observada em casos de longa evolução e quando acentuada impõe a investigação de outros agentes associados, particularmente bactérias..

A comprovação laboratorial da etiologia amebiana é obtida através do raspado corneal para a realização de esfregaços e cultura. Dados adicionais podem ser obtidos através da análise de todo o material utilizado no manuseio, desinfecção e armazenamento das LC. A identificação de AVL neste material é controversa em relação à confirmação da etiologia da ceratite.

A Acanthamoeba apresenta crescimento em diversos meios de cultura. O ágar não nutriente é o mais utilizado, pois a ausência de nutrientes diminui a proliferação bacteriana. Adiciona-se ao ágar uma camada de Escherichia coli mortas que servirá de substrato para a proliferação do parasita. Com a incubação a 32ºC em 48h há migração da Acanthamoeba nesta camada superficial, sendo estes "caminhos" facilmente identificados. Algumas espécies apresentam crescimento mais lento e as culturas devem ser observadas por duas semanas

A imunofluorescência é util na identificação de Acanthamoeba tanto em raspados como em material de biópsia corneal. O exame, após a coloração específica, no microscópio fluorescente revela cistos e trofozoítas brilhando intensamente. O diagnóstico é rápido e específico.

A técnica de PCR, "polymerase chain reaction", mostrou-se mais sensível do que a cultura utilizando amostras de lágrimas e raspado corneal de pacientes infectados. Em casos de suspeita de ceratite parasitária por Acanthamoeba em que não se confirme a etiologia através do raspado corneal (lâminas e culturas) a biópsia corneal é o método adicional de escolha para se identificar o parasita. Deve se incisar o epitélio e pequena espessura do estroma anterior na região de maior infiltração corneal, englobando também região adjacente menos acometida. No momento da biópsia devem ser colhidos novos raspados para lâminas e culturas.

 

Referencias:

Infecções por Amebas de Vida Livre – Foronda

Doenças Infecciosas e Parasitárias - Veronesi

Culbertson CG. The pathogenicity of soil amoebas. Ann Rev Microbiol 1971;25:231-54.

Úlcera de córnea por Acanthamoeba Arq Bras Oftalmol 1988;51:223-6.

 

 

 

OBS:-  Acanthamebiase:

 

Código Internacional:

 

Infecção por Acanthameba. - CID-10: B60.1

Dois tipos de manifestações:

(1) Forma crônica de meningoencefalite.

(2) – Conjuntivite ou ceratoconjuntivite, ou infecção ocular com uveíte e ulceração corneal (por Acanthamoeba)  - CID-10: H13.1

 

(Elena Gelado - FIACLE)

É terminantemente proibido a copia deste artigo!

                                                         

 

Área dos membros