ALERGIA NO USO DE LENTES DE CONTATO
Sergey Cusato Jr
IBTPLC
Lentes de contato, alergia, optometria, adaptação especial
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As lentes de contato são alternativas de correção que devem ser usadas com cuidados especiais, indicadas por um especialista e com acompanhamento periódico para detectar possíveis problemas.

Muitas alterações em usuários de lentes de contato são decorrentes da falta de cuidados relacionados à limpeza, desinfecção e conservação destas. Esses cuidados são imprescindíveis, já que a lente fica em contato direto com restos celulares, partículas do meio ambiente, substâncias químicas, gasosas, líquidas, proteínas, lipídios, além de outras substâncias e cosméticos. Frequentemente, a exposição a essas substâncias causa uma reação alérgica.

A alergia é uma reação de hipersensibilidade e é classificada em tipo 1. tipo 2, tipo 3 e tipo 4.

Este artigo aborda a alergia do tipo 1 que é a mais comum e muito agressiva, caracterizada quando o alergeno entra em contato com a pessoas pela segunda vez e é reconhecido pelo IgE.

O reconhecimento do IgE sobre o mastócito induz a degranulação, liberando os mediadores inflamatórios preformados e sintetizados de novas citoquinas e outros como a prostaglandina e leucotrieno. Estes geram a manifestação clínica minutos após o contato com os olhos, conforme se observa na figura 1.

                             

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Figura 1: Hipersensibilidade tipo 1 a solução de limpeza combinado com o material da lente de contato.

A hipersensibilidade pode ser desde uma intolerância ao material da lente ou até a solução de limpeza e conservação, podendo trazer consequências mais graves como as ptoses.

Os pacientes que apresentam algum tipo de alergia liberam resíduos dessa na lágrima que se aderem na lente e causam irritação.

Normalmente, os sintomas descritos pelo paciente que identificam o quadro de alergia ocular são: a coceira frequente - causada pela estimulação nervosa - vermelhidão, edema conjuntival, lacrimejamento, edema palpebral e fotofobia. (Figura 2 alergia ocular).

                              

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            Figura 2: Sinais observados na alergia ocular tipo 1

A primeira indicação ao suspeitar de alergia ao uso de lentes de contato é evitar coçar os olhos, utilizar compressas frias, interromper o uso das lentes e principalmente, procurar um especialista.

A busca pela constante melhoria nas soluções de manutenção das lentes, como a eliminação do thimerosal e o uso das lentes descartáveis, reduziu significativamente o número de alergias, porém, um tipo em específico passou a ser a principal preocupação para busca de um especialista, a Conjuntivite Papilar Gigante (CPG). Esse é um tipo de alergia que cerca de 2% a 10% dos usuários de lentes desenvolveram em algum grau como podemos observar na figura 3.

                                          

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Figura 3: Papilas bem pronunciadas em CPG Moderado

Ainda não existem lentes antialérgicas, porém, as lentes de troca diária diminuem os casos de alergia, assim como a higienização correta busca prevenir as complicações decorrentes das alergias. Vale ressalta mais uma vez a importância das consultas periódicas, pois as alergias podem aparecer por diversos fatores e quanto mais cedo à alteração for detectada maior é a possibilidade de sucesso na readaptação das lentes.

 

Prof. Sergey Cusato Jr. O.D Msc FIBTPLC e FIACLE

Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato F.I.A.C.L.E International Association of Contact Lenses Educators. MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact Lens Society of America. MSLS. Scleral, MOAA Orthokeratology Academy of America

 

REFERÊNCIAS

 

ENOCH JM. Descartes' contact lens. Am J Optom Arch Am Acad Optom. 1956; 33:77-85.

LEMP MA. Contact lenses and associated anterior segment disorders: dry eye, blepharitis, and allergy. Ophthalmol Clin North Am. 2003;16:463-9.

 

 

 

 

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