LENTES DE CONTATO: ADAPTAÇÃO DE LENTES DE CONTATO EM BEBÊ
Sergey Cusato Jr
IBTPLC
Lentes de Contato, Bebe, Cornea, Optometria
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Para adaptar lentes de contato em crianças é necessário paciência e dedicação do profissional.

 No recém-nascido, a córnea é relativamente grande, 10mm em sentido vertical. A curvatura também é mais pronunciada, aproximadamente 51D, com uma espessura da córnea central de 0,585mm. Nos prematuros, o diâmetro da córnea é menor e a curvatura mais pronunciada: na 34ª semana a media do diâmetro corneal é de 8,5mm e a curvatura corneal é de 52-53D. A córnea continua crescendo em diâmetro e se aplana com a idade, alcançando quase as medidas adultas depois do primeiro ano de vida. (ARFFA, 1999).

Ao se adaptar uma lente RGP é necessário avaliar a criança todo mês e mudar a curva das lentes de contato. Isso se dá porque a córnea vai se aplanando, sugerindo-se sempre adaptar uma lente um pouco mais justa para que o paciente não tenha que comprar uma lente por mês.

Em uma avaliação de lentes de contato em pediatria é preciso antes de qualquer coisa ganhar a confiança da criança, falando sempre primeiramente com a criança para depois falar com os pais. Todos os profissionais devem retirar o jaleco branco para que a criança fique mais a vontade e depois colocar novamente. Com este gesto a criança vai entender que não são todos profissionais que tem essa habilidade, pois se qualquer procedimento for obrigatório a criança independente da idade vai rejeitar.

Na figura 1 abaixo se tem o inicio do protocolo da avaliação para lentes de contato em uma criança.

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           Figura 1: Procedimento inicial em crianças

O problema mais comum diagnosticado em crianças é o erro refrativo e a primeira indicação são os óculos.  O que diferencia o uso de lentes de contato em crianças é o tratamento da ambliopia, pois com a indicação da lente, busca-se evitar a ambliopia e desenvolver a binocularidade para manter a acuidade visual.

As lentes de contato são geralmente indicadas quando óculos não conseguem desenvolver e estimular a visão binocular ou, quando não melhoram a acuidade visual em alterações visuais como: a afacia, que é a falta de cristalino, anisometropia, hipermetropia, astigmatismo irregular, alta miopia bilateral e nistagmo.

A adaptação das lentes hoje em dia pode ser indicada desde o nascimento, as lentes de contato rígidas gás permeáveis com altos DKT são as preferidas, porém, entre os 3 e 5 anos são adaptadas as lentes hidrofílicas ou Silicone Hidrogel.

Já no caso de patologias como aniridria, albinismo, a ambliopia e o tratamento das opacidades corneanas são adotadas as lentes de contato cosméticas ou terapêuticas.

Há também as indicações de lentes de contato vermelhas que objetivam aliviar a fotofobia em crianças com distrofias de cone, melhorando simultaneamente a visão.

Nos casos de remoção da lente natural do olho devido a catarata congênita, é necessário a adaptação imediata de lentes de contato logo após a cirurgia da terceira semana até aproximadamente a décima semana.

É sempre indicado as consultas de acompanhamento para monitorar o uso de lentes de contato e para os ajustes de graus periódicos. Em bebês pequenos, o ajuste é feito pelo uso de um ceratômetro manual, computadorizado e com um biomicroscópio portátil ou o normal mesmo, simplificando o exame.

 

Na tabela abaixo o controle de rotina de crianças de três meses de vida a 12 anos.

          

           Tabela 1: Controle na adaptação de lentes de Contato em bebê

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(Cusato, 2012.)

Após 1 meses se a criança tiver menos que 1 anos de vida tem-se que reavaliar e refazer as lentes, caso seja necessário as lentes devem ser trocadas de 30 em 30 dias.

 

Também é importante que pais, familiares e os responsáveis pela criança acompanhem as avaliações para saber os cuidados necessários para remoção e manutenção das lentes, evitando comprometimentos futuros com o olho do bebê.

 

Prof. Sergey Cusato Jr. O.D Msc FIBTPLC e FIACLE

Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato. Responsável pela cadeira técnica da disciplina de Contatologia Especial, do Curso de Pós- Graduação Lato Sensu de Optometria Avançada da Universidade Braz Cubas. F.I.A.C.L.E International Association of Contact Lenses Educators. MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact Lens Society of America. MSLS. Scleral, MOAA Orthokeratology Academy of America.

 

REFERÊNCIAS

 

ARFFA, Robert. Grayson's Diseases of the Cornea. 4 ed. Elsevier - Health Sciences Division, 1999.

MCQUAID K; YOUNG TL. Rigid gas permeable contact lens changes in the aphakic infant. CLAO J; 1998.

 

JURKUS JM. Contact lenses for children. Optom Clin. 1996;

 

 

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