PARADIGMAS E PERSPECTIVAS ATUAIS SOBRE O CERATOCONE
Sergey Cusato Jr
IBTPLC Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato
Sergey Cusato jr, lentes de contato, optometria, oftalmologia, ceratocone
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As causas exatas do ceratocone são desconhecidas.  Há muitas teorias com base em pesquisas e sua associação a outras condições. No entanto, nenhuma teoria explica tudo e ele pode ser causado por uma combinação de fatores. Acredita-se que tanto a genética como o ambiente e o sistema endócrino desempenham um papel no surgimento do ceratocone.

Geneticamente, sob uma visão científica, o ceratocone é de desenvolvimento (genético) e de origem desconhecida. Muitos casos estão associados a um gene familiar. A partir dessas informações, disponibilizadas com certa facilidade nos dias de hoje, a chance de que um parente de sangue manifeste a doença é de aproximadamente 10%.
 
A maioria dos pacientes com ceratocone não tem outros membros da família com a doença, mas, sim, uma pré-disposição genética. Alguns estudos mostram que nas córneas com ceratocone falta uma importante fibrila de colágeno que estabiliza estruturalmente a córnea anterior. Essa flexibilidade permite que a córnea "venha para frente", assumindo uma aparência em forma de cone, podemos observar na Figura 1.

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Figura 1. Ceratocone central com formato de cone, sem associação sistêmica.

Fatores-chave para o desenvolvimento da doença, que muitas vezes não se manifestam e são causados por elementos ambientais e esfregação dos olhos, potencializam o ceratocone e seus danos são mais frequentes.
A solução mais plausível para pacientes com ceratocone é o uso de lentes de contato, devido à facilidade e à qualidade de visão que proporcionam.

Os pacientes com irregularidade da córnea têm grandes chances de desenvolver ceratocone e a possível causa são processos alérgicos ocorridos durante a infância, algo que não foi comprovado e permanece questionável. Muitos dos pacientes com ceratocone o relacionam à fricção dos olhos e também têm alergias (que causam coceira e irritação dos olhos, levando-os a coçar os olhos), porém, o link para doenças alérgicas também permanece incerto. Os pacientes com ceratocone têm um percentual maior de doença atópica em comparação à população em geral. Doenças como febre do feno, eczema, asma e alergias alimentares são consideradas atópicas e apresentam estresse oxidativo.

Alguns estudos indicam um processamento anormal dos radicais superóxidos na córnea com ceratocone e um envolvimento do estresse oxidativo na patogênese da doença. Córneas com ceratocone têm a capacidade de autorreparo de danos rotineiros e isso é facilmente visto em uma microscopia confocal eletrônica. 
 
Como qualquer tecido no corpo, a córnea cria subprodutos nocivos do metabolismo das células chamados radicais livres. Córneas normais, como qualquer outro tecido do corpo, têm um sistema de defesa para neutralizar esses radicais livres para que eles não danifiquem o colágeno, a parte estrutural da córnea, enfraquecendo-o e fazendo com que a córnea afine e apresente uma protuberância.

As córneas com ceratocone não têm a capacidade de eliminar os radicais livres, então, eles permanecem no tecido e podem causar danos estruturais.

Outra hipótese, hormonal, é que o sistema endócrino pode estar envolvido porque o ceratocone geralmente é detectado pela primeira vez na puberdade e progride durante a gravidez. Essa teoria ainda é controversa.
O ceratocone é a principal causa de transplante de córnea em países desenvolvidos.
 
Os profissionais têm grande dificuldade para adaptar uma lente de contato para cada tipo de ceratocone. Observações histológicas demonstraram degradação da membrana basal do epitélio da córnea, diminuição do número de fibrilas de colágeno, afinamento do estroma corneal, queratócitos e apoptoses (Figura 2).

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Figura 2. Ceratocone para central.

A expressão do gene foi evidenciada e foi encontrada uma ligação genética no cromossomo 2p24, como observado na Figura 3.

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Figura 3. Expressão do gene.

Neste artigo, identificamos um novo candidato na região 2p24, mapeado por análise de ligação em uma população heterogênea.
Assim, é importante que os pacientes com ceratocone tenham um acompanhamento com seu especialista, lembrando que lentes de contato para ceratocone não podem machucar, pular dos olhos e/ou causar vermelhidão, muito menos mudar a curvatura da córnea, mais conhecido como Warpage corneal.

Prof. Sergey Cusato Jr. O.D
Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato. Responsável pela cadeira técnica da disciplina de Contatologia Especial, do Curso de Pós- Graduação Lato Sensu de Optometria Avançada da
Universidade Braz Cubas. F.I.A.C.L.E International Association of Contact Lenses Educators. MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact Lens Society of America. MSLS. Scleral


 

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