HIPÓXIA NO USO DE LENTES DE CONTATO
Sergey Cusato Jr
Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato
Optometria, Lentes de Contato, Oftalmologia, Cuidados Primarios
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A córnea é uma estrutura avascular. Em estado normal recebe oxigênio para manter suas atividades metabólicas vindo da atmosfera e, após sua utilização transforma em dióxido de carbono.
Já no paciente com lentes de contato, a permeabilidade e transmissibilidade sofre, pela barreira que a lente de contato se torna, impedindo a passagem normal do oxigênio gerando uma má oxigenação da córnea, denominada hipóxia e, o acúmulo de dióxido de carbono, a hipercapnia.
 Quando isso acontece gera um acúmulo de lactato e alterações metabólicas que podem levar a um edema corneano.
O índice de transmissibilidade de oxigênio da lente de contato conhecido como DK/L ou DK/T, também deve ser observado.
O "D" é o coeficiente de difusão, ou seja, a quantidade de oxigênio que atravessa o material. O "K", é o coeficiente de dissolubilidade, que é o quanto de oxigênio dissolvido no material, e o "L" a espessura da lente em centímetros.
Os optometristas Holden e Mertz estabeleceram parâmetros relacionados à transmissibilidade e tempo de uso de lentes de contato para que a córnea não sofra hipóxia e, consequentemente, não apresente edema acima do edema natural que ela possui. A transmissibilidade é um fator importantíssimo para que a córnea não se degenere e sofra danos no seu metabolismo.
O principal sinal de hipóxia é a neovascularização, as lentes de contato por inibirem o processo de metabolização do oxigênio, produz o aumento das células endoteliais, promovendo assim, a neovascularização como se pode observar na figura 1.
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A primeira etapa do tratamento consiste na diminuição ou suspensão do uso das lentes. No uso de lentes com troca programada é se necessário verificar se essas trocas estão sendo feitas no tempo previsto, e se for preciso, antecipar a troca.
 
Em casos agudos de hipóxia, indica-se o uso de analgésico via oral e colírios ciclopégicos, devidamente prescritos pelo especialista. Nos casos mais graves que ocorrem erosões corneanas, é necessário o curativo oclusivo com cobertura de colírio e pomadas antibióticas, aliada a suspensão do uso de lentes de contato.
Após a completa recuperação corneal, readapta-se as lentes, preferencialmente as de fabricação com materiais mais permeáveis ao oxigênio.

Vale ressaltar a importância de conhecer o metabolismo da córnea e os materiais das lentes de contato para melhor indicação. Além da correta orientações ao paciente por nós profissionais quanto aos métodos de higienização e a retirada das lentes para dormir. Caso o paciente faça o uso de lentes de contato de uso continuo (para dormir), os controles do paciente devem ser mais rigorosos e com avaliação mais minuciosa Ex: Paciente usuário de Lotrafilcon A, uso continuo adquiri 12 pares para 1 ano, tendo como descarte um par por mês exemplo de controle:
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Cada tipo de adaptação tem um protocolo diferente de controle, assim podemos solucionar e trazer um melhor resultado para o paciente, mantendo a integridade e a saúde dos olhos.
Prof. Sergey Cusato Jr. O.D
Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato. Responsável pela cadeira técnica da disciplina de Contatologia Especial, do Curso de Pós- Graduação Lato Sensu de Optometria Avançada da Universidade Braz Cubas. F.I.A.C.L.E International Association of Contact Lenses Educators. MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact Lens Society of America. MSLS. Scleral, MOAA Orthokeratology Academy of America

REFERENCIAS
REINHARD, T.; LARKIN, F. Cornea and External Eye Disease: Corneal Allotransplantation, Allergic. Springer: 2010.
SUCHECKI JK, DONSHIK P, EHLERS WH. Contact lens complications. Ophthalmol Clin North Am. 2003;16(3):471-84


 

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