LENTES ESCLERAIS (SCLERAL LENSES) ADAPTAÇÃO PÓS TRANSPLANTE PENETRANTE RECORRENTE
Sergey Cusato Jr
Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato IBTPLC
Optometria, Contatologia, Oftalmologia, Transplante de Córnea
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Conteúdo do artigo

Paciente 55 anos, após dois transplantes de córnea, duas cirurgias de catarata e glaucoma secundário, foi encaminhada ao departamento de contatologia para avaliação.

Na avaliação, constatou-se (FLARE e Cells) e encaminhou-se a paciente para urgência oftalmológica por ter sido diagnosticado uma uveite anterior (Figura1).

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No retorno, com a paciente já muito debilitada, iniciouse o protocolo de adaptação de lentes de contato Esclerais rígidas.

No inicio dos testes, teve-se que alterar a conduta, pois a paciente rejeitava completamente o toque nos olhos dela, assim como critério de inclusão optou-se por uma anamenese de 1 hora, possibilitando o detalhamento de todo o processo passado pela paciente.

Logo em seguida inicia-se a avaliação completa de lentes de contato. (tabela1)

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As lentes esclerais são de grande diâmetro, lentes rígidas gás-permeáveis. Elas podem variar em até 14 milímetros a mais de 22 mm de diâmetro. Eles são chamados de Scleral Lenses por cobrir completamente a córnea e se estender até a esclera (parte branca do olho que forma a parede externa do olho), como pode-se observar na imagem abaixo (Fig. 2)

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Como é de grande diâmetro rígido e gás permeáveis, os desenhos da lente têm um sistema de classificação para descrever estas lentes. Muitos desses sistemas de classificação são baseados unicamente no tamanho da mesma.
No entanto, também podem ser classificados com base em suas características de adaptação. As lentes da córnea são suportadas exclusivamente pela córnea, e não se estendem além do limbo (a junção entre a córnea e a esclera). Lentes esclerais são sustentadas por ambas, córnea e esclera, e estendem para além do limbo. As lentes esclerais são exclusivamente para casos especiais, a adaptação dessas lentes sem a correta indicação pode induzir os olhos a danos como constrição de vasos e doenças mais severas na esclera e córnea.

Essas adaptações são indicadas para alguns pacientes que têm distúrbios que afetam a qualidade, ou a quantidade de lágrimas que ajudam a manter a superfície do olho lisa e saudável. Síndrome do olho seco, doença como a síndrome de Sjogren, síndrome de Stevens Johnson, e ceratopatia neurotrófica são exemplos de tais condições.

Algumas condições inflamatórias, incluindo a deficiência de células-tronco do limbo e penfigóide cicatricial ocular,
também causam sérios danos à superfície frontal do olho.

Pacientes que não podem fechar suas pálpebras completamente, também pode ter problemas com a saúde da superfície do olho. O reservatório de fluido preso sob uma lente escleral pode melhorar o conforto para estes pacientes, e pode permitir que a superfície da córnea se cure.

No caso clínico apresentado, a paciente possuia um quadro severo no olho esquerdo com uma ectasia corneal
severa como se pode observar nos dois olhos na topografia abaixo (figura3).

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Após avaliação em terceira dimensão se observou um afinamento periférico avançado no olho esquerdo, assim
manteve-se como conduta a adaptação de lentes esclerais, por não encostar na córnea (afinamento periférico pós ceratoplastia penetrante (Figura 4).

 

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Como pode-se observar na topografia em terceira dimensão, ocorre um afinamento severo no olho esquerdo e, no olho direito, um afinamento moderado.

Essa paciente, devido a tantos problemas em seus olhos, possui aberrações medidas por wave fronte de alta ordem.

Aberrações de alta ordem mesmo com lentes causam um desconforto visual muito grande, assim teve-se que trabalhar neste caso com asfericidade precisa e os cálculos de excentricidade no valor exato, como se observa o mapa de wave fronte na figura 5.
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Como filosofia de adaptação foi decidido após análise completa do caso por lentes esclerais com 3 curvas.

 
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A figura 6 mostra o resultado das lentes terminadas.
 
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Essa adaptação foi um caso que será reportado e serve também como estudo para novos profissionais da saúde visual. Adaptarmos a lente certa para as necessidades de cada um.

Esse caso clínico foi de alta complexidade, obrigando assim uma atenção ao paciente de 3 horas, na primeira avaliação, e de 30 dias, até o término da lente para análise dos resultados.

Prof. Sergey Cusato Jr. O.D

Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de
Contato.
Responsável pela cadeira técnica da disciplina de Contatologia Especial,
do Curso de Pós- Graduação Lato Sensu de Optometria Avançada da
Universidade Braz Cubas. F.I.A.C.L.E Internacional Association of Contact
Lenses Educators. MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact
Lens Society of America. MSLS. Scleral
 

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