LENTES DE CONTATO DISFUNÇÃO DAS GLÂNDULAS DE MEIBOMIO
Sergey Cusato Jr
Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato IBTPLC
Lentes de Contato, Optometria, Oftalmologia
  • Facebook ...
  • Twitter ...
  • LinkedIn ...

Conteúdo do artigo

sergey Cusato artigo.jpg

A disfunção da glândula de meibômio é uma anormalidade crônica e difusa, geralmente caracterizada por obstrução do duto terminal e/ou alterações qualitativas/quantitativas na secreção glandular.

A disfunção das glândulas de Meibômio pode gerar instabilidade no filme lacrimal e a alteração da superfície ocular, o que dificulta a adaptação das lentes como se pode observar na figura 1.

lipideo.jpg

Figura 1: Instabilidade na película lacrimal e excesso de lipídeo na película lacrimal

A integridade da camada lipídica da lágrima é função da relação entre suas frações polar e apolar, e pode ser danificada pela ações de lipases secretadas por bactérias que habitam a conjuntiva e as pálpebras, especialmente em portadores de meibomite ou blefarite posterior, por causarem alterações muito severa nas pálpebras como demonstrado na figura 2 o caso de um paciente com o início de blefarite posterior

01.jpg

 Figura 2: Paciente com início de blefarite posterior

 

Essa disfunção pode ser evidenciada por uma expressão meibomiana reduzida ou ausente e por uma metaplasia escamosa de seus orifícios. Nesta condição aparecem sinais de inflamação da conjuntiva (presença de células inflamatórias a microscopia, hiperemia conjuntival e sensação de corpo estranho - principalmente no amanhecer -,  sintoma de irritação nos olhos e sinais de secreção na glândula causando blefaroconjuntivite demonstrada na figura 3

                        be.jpg              

Figura 3: Blefaroconjuntivite

Na fase final da meibomite, a inflamação desenvolve a fibrose e atrofia das glândulas de meibomio, a redução da olesidade palpebral facilita o umedecimento da fita de papel no teste de Shirmer, o qual pode apresentar valores mais elevados do que o normal.

E muito importante conhecer a classificação das Blefarites para um diagnostico diferenciado, pois são múltiplas as causas da enfermidade.

Na Blefarite estafilocócica o paciente reporta uma sintomatologia flutuante que piora e melhora com o tempo da inflamação na parte anterior das pálpebras. A blefarite seborréico por sua vez são casos que demoram mais a evolução sem exacerbação e com menor inflamação e mais escamas na borda anterior da pálpebra.

A Blefarite seborréica com infecção estafilocócica se assemalha a blefarite seborréica, porém apresenta muitas exacerbações e mais inflamação. Também estão presentes crostas mais grossas e escamosas.

Outro tipo de blefarite é a seborréica com seborreia meibomiana na qual o paciente apresenta hipersecreção das glândulas de Meibomio com glândula dilatadas que obstruem e desencadeiam muita sintomatologia com a quemose. As alterações da borda anterior da pálpebra são moderadas. Já a blefarite seborréica com meibomite secundária se assemalha também a seborréica com agravo, sendo que na borda da pálpebra, as glândulas de meibomio se distribuem alternadamente, algumas ocluidas e outras inflamadas de forma desigual.

O tratamento varia de acordo com o tipo e o grau da blefarite necessitando o profissional da saúde estar apto para distinguir diferencialmente os sintomas e prescrever o melhor tratamento para cada espécie, sendo necessário a suspensão do uso de lentes de contato.

Prof. Sergey Cusato Jr. O.D Msc FIBTPLC e FIACLE

Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato. Responsável pela cadeira técnica da disciplina de Contatologia Especial, do Curso de Pós- Graduação Lato Sensu de Optometria Avançada da Universidade Braz Cubas. F.I.A.C.L.E International Association of Contact Lenses Educators. MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact Lens Society of America. MSLS. Scleral, MOAA Orthokeratology Academy of America. 

 

Área dos membros