COMPLICAÇÃO NO ENDOTELIO DE CÓRNEA NO USO DE LENTES DE CONTATO DE BAIXO DK/T
Sergey Cusato Jr
EDELHAUSER; UBELS, 2004; CUSATO 2014
Optometria, Oftalmologia, Lentes de Contato
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        Sabemos que as lentes de contato tem sido um grande avanço tecnológico na correção de problemas visuais. No entanto a lente de contato com um índice de permeabilidade e transmissibilidade de oxigênio baixo tem trazido danos e mudanças metabólicas na córnea.
     

       O endotélio da córnea humana é constituído de uma única camada de 400.000 a 500.000 células com 4 a 6 µm de altura e 20 µm de largura. A contagem de células endoteliais diminui proporcionalmente à idade. (EDELHAUSER; UBELS, 2004).
     

        O endotélio de cornea é formado por uma camada única de células hexagonais aderidas à membrana de Desce-me, que revestem posteriormente a córnea. Exerce as funções de barreira à entrada de fluidos e de bomba ativa para transporte de íons e água para a câmara anterior, mantendo a transparência coreana e prevenindo o edema da córnea, que pode levar a baixa da visão.
 

        De acordo com Muller et al (2001, p. 125) “as células do endotélio estão ligadas por interdigitações, zônula de oclusão, zônula de adesão e junções do tipo gap, o que faz com que haja grande comunicação intercelular”.
     

         A córnea do olho do recém-nascido mostra densidade celular superior a 5.500 células/mm2. A população endotelial normal no ser humano adulto varia entre 2.000 a 3.000 cels/mm2, em média, sendo composta de células hexagonais pobremente aderidas entre si e à sua membrana basal, a membrana de Descemet. Considerando que as células endoteliais humanas não apresentam a capacidade de se reproduzir, é recomendável fazer de tudo para preservar a população endotelial existente. O mínimo necessário para que o endotélio possa manter a sua função é na ordem de 400 a 700 células por milímetro quadrado. Sem esse mínimo é impossível manter sua função, podendo a partir disso, ocorrer edema e, consequentemente, perda da visão. (KAUFMAN; ALM, 2004).


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Figura 14 – Endotélio de um lactente de 18 meses (em cima) e um homem normal de 74 anos de idade (abaixo)
Fonte: (SPALTON; HITCHINGS; HUNTER, 1998)

       As células endoteliais tem um diâmetro aproximado de 20µm e um grosso ao redor de 4-6µm. Através da microscopia eletrônica de transmissão se demonstra que estas células, apesar de que nos cortes transversais apresentam uma configuração basicamente cuboide, apresentam interdigitações complexas que as unem entre si fazendo com que suas bordas laterais tenham uma longitude 10 vezes superior a de sua largura.  As células endoteliais estão interconectadas mediante uniões herméticas e uniões comunicantes. As uniões comunicantes são em grande número e se observa sobre todas as membranas laterais das células. Este tipo de união não contribui para a função da barreira endotelial, mas sim, para a comunicação intercelular. (KAUFMAN; ALM, 2004).

       A membrana celular posterior apresenta 20 a 30 microvilocidades, por células, medindo 0,1 a 0,2µm de largura por 0,5 a 0,6µm de altura. Tais microvilosidades são características constantes das células endoteliais. Já no citoplasma das células endoteliais existem grânulos de pigmentos parecendo melanina das células uveais, fagocitados do humor aquoso, e lisossomas ocasionais. Nas células endoteliais existem mais mitocôndrias que em outras células do olho, exceto os elipsóides das células receptoras da retina, ressalta Boteon (2000).

       O núcleo das células endoteliais é achatado e oval, com espaçamento entre os núcleos regular através da córnea, tornando-se mais irregular com a idade. (BOTEON, 2000).

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 Figura 15 – Célula endotelial intracelular - junções
     Fonte: (TASMAN; JAEGER, 2007)

    Boteon (2000, p. 05) fala sobre os complexos juncionais afirmando que:

    Entre as membranas laterais, encontramos compelxos juncionais (zonula occludens, macula occludens e macula adherens). A zonula occludens une as células no terço posterior, mais frequentemente próximo à câmara anterior. A macula occludens e a macula adherens são raridades, ocorrendo nos dois terços anteriores das membranas laterais. A macula adherens, no passado, chamava-se desmossoma.

     A semiologia do mosaico endotelial da córnea avalia a densidade celular e seu objetivo é estimar quantitativamente o número de células existentes em cada um dos milímetros quadrados existentes neste mosaico. Também, através da microscopia especular de córnea é possível avaliar estruturas anexas tais como células inflamatórias, depósitos endoteliais, dobras de membrana de Descemet, lesões excrescenciformes ou guttae secundárias, vesículas e faixas. Durante a vida existe um declínio natural de densidade endotelial que pode ser potencializado por várias causas, dentre as quais o uso de lentes de contato. Quando a população destas células atinge um nível crítico, considerado entre 700 a 400 células/mm2, a córnea perde definitivamente sua transparência. (ABIB, 2005).

     Na avaliação endotelial o número de células por mm2 é considerado o mais objetivo e útil parâmetro. Dos 20 aos 50 anos de idade a densidade celular mantém-se praticamente estável e varia de 2.000 a 3.500 células/mm2. Após os 60 anos há um novo decréscimo ainda inexplicável da densidade endotelial. (CHAMNO; BELFORT, 1996).
Segundo Godinho et al, (2008) os valores da densidade celular devem ser comparados com valores de normalidade para a idade, pois reduzem com o tempo. Em média se tem 3.000 células/mm2 na segunda década de vida; 2.500 células/mm2  na quinta década e 2.000 células/mm2  na oitava década de vida.
      O que acontece com toda essa estrutura é que com o bloqueio de oxigênio por uma lente de contato mal indicada traz o aumento da acidose na córnea trazendo um esgotamento endotelial, agutamento, polimorfismos e pleomorfismos endotelial.

      Por isso é importante com que os profissionais fiquem atentos as lesões causadas pela falta de dados na analise clinica.

Prof. Sergey Cusato Jr. O.D Msc FIBTPLC e FIACLE
Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato. Responsável pela cadeira técnica da disciplina de Contatologia Especial, do Curso de Pós- Graduação Lato Sensu de Optometria Avançada da Universidade Braz Cubas. F.I.A.C.L.E International Association of Contact Lenses Educators. MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact Lens Society of America. MSLS. Scleral, MOAA Orthokeratology Academy of America


 

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