EXCESSO DE ACOMODAÇÃO E ERRO REFRATIVO
Prof. Guilherme Cassiano
Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato
acomodacao, aoptometria, erro refrativo
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Conteúdo do artigo

Excesso de Acomodação:

Avaliação de excesso e insuficiência de Acomodação:

Com os dados das duas retinoscopias (estática e dinâmica) podemos determinar se o paciente está fazendo um excesso ou uma insuficiência de acomodação. O Método consiste em que na estática a acomodação está relaxada e na dinâmica está ativada, então comparando ambas as refrações temos o seguinte: Consideramos normal a relação entre as duas refrações quando a diferença fica de +0,25 a +0,75 positiva a dinâmica em relação a estática.

Excesso de Acomodação

Ocorre quando a relação entre a Estática e a Dinâmica se dá em valores abaixo de +0,25 de diferença entre as refrações.

Exemplo:
Estática:    +0,50 – 0,50 x 180

Dinâmica:  +0,25 – 0,50 x 180

Isto ocorre porque o cristalino está produzindo muito poder de acomodação, ou seja  miopizando, fazendo a refração dinâmica ficar mais negativa.

 

Técnicas de refração:

Retinoscopia é o método que objetiva determinar o estado refrativo do olho, cujo princípio básico é o de determinar o poder focal do olho, podendo ser estática ou dinâmica.

Na retinoscopia estática, o propósito é obter uma medição objetiva do estado refrativo do paciente. No estado refrativo se determina com o paciente mantendo a visão fixa sobre um objeto situado a uma distancia de 6 m. O teste é feito binocularmente. A retinoscopia estática é o método objetivo para investigar, diagnóstica e avaliar erros refrativos do olho. Ao iluminar o olho com luz retinoscópica, a retina se comporta como um espelho que absorve e reflete a luz até a pupila do paciente.

 Na retinoscopia dinâmica, o paciente é orientado a fixar numa letra ou outros objetos situados detrás do retinoscópio. No resultado obtido não é somado e nem adicionado nenhum valor dióptrico relacionado com a distância de trabalho.É realizado solicitando ao paciente para fixar a visão sobre um objeto ou a luz do retinoscópio, devendo após, o examinador neutralizar o movimento do reflexo.

Retinoscopia Estática

  •    Objetivo: Determinar objetivamente o estado refrativo do paciente com a acomodação em repouso.
  •                  Pré-requisitos: Fixação central.
  •        Principio: Acomodação Relaxada , olho focado no infinito e com lentes positivas de trabalho.

Retinoscopia Dinâmica

  •    Objetivo: Determinar objetivamente o estado refrativo do paciente com a acomodação ativa.
  •          Material: Retinoscópio, caixa de provas ou greens, tabela de A.V
  •          Principio: Acomodação Ativa, Paciente focando na Luz do retinoscópio.

Ceratite

Pequenas lesões no epitélio corneano, podem ser difusos ou localizados, geralmente estão associados a defeitos no filme lacrimal ou na produção do mesmo. Pode ser ocasionada por uso indevido de lentes de contato também. Coram facilmente com fluoresceína e seu tratamento quando iniciado de forma rápida e correta tende a ter um excelente prognostico. Quando sintomática o paciente reporta ardência ocular como sintoma mais frequente.

 Caso Clínico

Paciente de 22 anos, sexo masculino analista de sistemas, usuário de óculos uso continuo com queixa de visão borrada no computador, ardência ocular e dor de cabeça ao final do dia. Iniciou-se então o protocolo de avaliação clínica em optometria completo.

 

Protocolo Clínico:

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Após a Biomicroscopia foi encontrado uma Ceratite superficial em ambos os olhos. O paciente foi então encaminhado para tratamento em uma clínica oftalmológica e foi agendado retorno após tratamento e turn over corneal. Paciente retornou então para a complementação do exame com os procedimentos refrativos.

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Figura 1 - ceratite

Dados Refrativos:

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Seguindo a literatura sobre refração, verificamos que a melhor correção se dá com a melhor acuidade visual com o máximo de dioptria positiva.

Após a retinoscopia estática e dinâmica foi verificado que o paciente não necessita de óculos e sim de tratamento ortóptico para excesso de acomodação, pois o mesmo após massagem acomodativa e relaxamento do cristalino conseguiu 20/20 sem correção.

Foi então elaborado um plano de tratamento e controle do paciente, não foi passada a RX. O paciente se encontra sem óculos e fazendo retorno no consultório e sua sintomatologia desapareceu.

Conclusão:

Em nossa pratica clínica é muito comum aparecer este tipo de paciente, devemos estar atentos com nossa conduta refrativa, pois se todo protocolo não for feito, pode-se danificar permanentemente o sistema de acomodação do paciente.

A postura do examinador deve ser perfeita, e deve-se saber usar os equipamentos de forma correta, aplicando as técnicas corretamente e saber interpretar os resultados dos exames.

Como visto acima um paciente para refração deve ser avaliado integralmente, pois inúmeras patologias não são visualizadas sem uma boa biomicroscopia, pois uma das queixas do paciente era ardência ocular, causada pela ceratite e não pelos dados refrativos.

É comum ver profissionais se basearem no que o paciente reporta no exame subjetivo, sendo manipulados pelo examinado e isso leva ao erro, pois no caso acima a hipercorreção negativa foi feita devido a que o profissional desconsiderou exames básicos obrigatórios. O bom profissional deve saber adotar a conduta correta com seu paciente.

Referências bibliográficas:

- DUKE-ELDER, Stwart. Refração prática. 10. Ed. Rio de Janeiro: Revinter, 1997.

- GARCIA, M. Rosa Borràs. et al. Optometría: manual de exámenes clínicos. 3. Ed. México: Alfaomega, 2001.

- GROSVENOR, Theodore Primary Care Optometry : Anomalies Of Refraction And Binocular

Vision Washington - US : Butterworth-Heinemann, 1996.

- KANSKI, Jack J. ; NISCHAL, Ken K. Oftalmologia: sinais clínicos e diagnósticos diferenciais. São Paulo: Manole, 2000.


 Prof. Guilherme Cassiano

Professor no Instituto Brasileiro de Pesquisa e Treinamento em Lente de Contato

Bacharel em Optometria – UnC

Pós-Graduado em Optometria Avançada –UBC

Técnico em Óptica e Contatologia – Instituto Filadélfia - SC

Especializando em Cuidados Primários e Lente de Contato – IBTPLC - SP

Membro do Conselho Brasileiro de Ótica e Optometria.


 

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