CLASSIFICAÇÃO DAS CATARATAS: LENTES DE CONTATO E CUIDADOS PRIMARIOS
Professor Sergey Cusato Jr
Professor Sergey Cusato Jr
CATARATA, CLASSIFICAÇÃO, LENTE DE CONTATO, CUIDADOS PRIMARIOS
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CLASSIFICAÇÃO DAS CATARATAS: LENTES DE CONTATO E CUIDADOS PRIMARIOS

A catarata é uma doença que consiste na perda progressiva da transparência do cristalino e pode gerar uma opacidade parcial ou total desta lente. Como consequência ocorre a diminuição da visão, pois o cristalino é responsável pela focalização da visão tanto de longe quanto de perto. É por meio desta lente que focam os objetos, sendo que qualquer alteração na constituição deste aparelho impacta na formação da imagem na retina e consequentemente na visão. 
Quando há acúmulo de proteína reduz a claridade da imagem que chega à retina. O cristalino é composto em sua maioria por água e proteína. Quando esta proteína se acumula, nubla o cristalino diminuindo a luz que chega à retina gerando opacidade que gera visão borrada. A maio-ria das cataratas se desenvolve em relação à idade justamente devido a acumulação de proteina. Quando a catarata é pequena, a opacidade afeta somente uma pequena porção do cristalino. (GIRALT, 2012). 
No olho com catarata, a visão estará dependente do grau de opacificação do cristalino. Quanto maior for a opacificação do cristalino maiores serão as perturbações na visão. Em situações extremas os doentes podem perder totalmente a visão. 
A doença pode ocorrer bilateralmente, ou seja, afetar a visão dos dois olhos, e ainda é a maior causa de cegueira no mundo, atingindo milhões de pessoas. Pode ser congênita (mais rara) ou adquirida, que é a forma mais frequente. 
Estima-se que mais de 46% da população mundial com mais de 65 anos de idade tenha a doença. No mundo, mais de 160 milhões de pessoas possuem esta doença e no Brasil são 2 milhões e surgem cerca de 120 mil novos casos ao ano. Esta alteração pode levar à cegueira.

CAUSAS E EVOLUÇÃO 

O desenvolvimento da catarata pode ocorrer lentamente e assintomática, levando anos para se diagnosticar. Em outros casos a doença tem progressão rápida e necessita de intervenção cirúrgica. 
A causa mais frequente está ligada ao processo natural de envelhecimento a partir dos 45 anos podendo os sintomas aparecer somente a partir dos 60 anos. 
Embora o envelhecimento seja a causa mais comum, outros motivos como as cirurgias intra-oculares, medicamentos como corticosteróides e doenças como diabestes, renais, infecções e inflamações oculares. 
O diagnóstico de catarata é feito pelo profissional de saúde visual por meio de um exame minucioso. 
O risco de desenvolver catarata aumenta ao envelhecer. Outros fatores que contribuem são enfermidade como o diabetes, uso de tabaco, álcool, exposição prolongada aos raios ultravioletas e produtos químicos, traumas oculares. 

SINTOMAS 

A catarata no início pode ser assintomática, mas estes sintomas dependem do grau de opacificação do cristalino. 
Os sintomas iniciais relatados são a diminuição da acuidade visual, a visão turva, diminuição da visão noturna e a sensibilidade à luz e podem variar conforme a fase agravando-se com o passar do tempo, passando a sensação de visão nublada ou enevoada, à alteração da visão de cores.

CLASSIFICAÇÃO DAS CATARATAS 

As cataratas podem variar conforme a faixa etária, doenças e exposição a produtos. A catarata pode estar presente logo ao nascimento congênito ou então ser adquirida com o avançar da idade. A catarata adquirida pode estar relacionada com a idade (envelhecimento mais ou menos precoce), metabólica (diabetes), patológica (uveítes), iatrogênica, radioativa, etc. 

Catarata Congenita

As cataratas podem variar conforme a faixa etária, doenças e exposição a produtos. A catarata pode estar presente logo ao nascimento congênito ou então ser adquirida com o avançar da idade. A catarata adquirida pode estar relacionada com a idade (envelhecimento mais ou menos precoce), metabólica (diabetes), patológica (uveítes), iatrogênica, radioativa, etc. 

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Figura 1: Olhos com catarata congênita 
Fonte: http://www.alaccsa.com/catarata-na-infância-um-grande-desafio-clínico-e-cirurgicocatarata congênita

Catarata incipiente

A catarata incipiente também chamada de facoesclerose se refere à evolução da catarata e presença de turvação do cristalino, sendo que a visão do paciente é praticamente normal no início. Conforme o grau de turvação do cristalino se classifica em catarata incipiente madura ou hipermadura. 
Nesta catarata não se tem indicação de cirurgia inicialmente, mas conforme a evolução.



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Figura 2: Catarata Incipiente

Catarata senil 

A catarata senil ou da idade, normalmente, desenvolve-se depois dos 65 anos, geralmente lenta e bilateral. Por este motivo é muitas vezes conhecida como a "catarata no idoso". Caso o paciente tenha diabetes esta catarata pode evoluir mais rapidamente.  

O tratamento é cirúrgico e normalmente, utilizada é a facoemulsificação com introdução de lente (acrílica) no interior do olho e com anestesia tópica (gotas). 

A decisão de intervenção cirúrgica deve ser tomada mediante a acuidade visual apresentada e de acordo com a atividade e necessidades de cada pessoa

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Figura 3: Catarata Senil

Catarata subcapsular

A catarata subcapsular pode dividir-se em duas a posterior e anterior. 

A posterior se localiza na frente da cápsula posterior e sua causa está associada a tratamento sistêmicos como o uso de corticóides. Já a anterior se localiza atrás da cápsula anterior e sua causa está associada a exposição do excesso de calor, como no caso de vidreiros. O tratamento deste tipo de catarata é cirúrgico.


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Figura 4: Catarata Subcapsular

Catarata nuclear

A catarata nuclear é um tipo de catarata na qual a opacificação está nos núcleos do cristalino. É mais frequente em pessoas idosas, potenciando o aumento da densidade do cristalino, induzindo miopia.


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Figura 5: Catarata Nuclear

Catarata cortical

A catarata cortical é outro tipo de catarata que a opacificação é vista no córtex lenticular, sendo bastante frequente pessoas com diabetes. Os sintomas e tratamento deste tipo de catarata são semelhantes à senil.

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Figura 6: Catarata Cortica

 Catarata traumática

A catarata traumática pode ser provocada por traumatis­mos perfurantes ou contusos. Geralmente aparece apenas no olho atingido pelo trauma e independe de idade. Caso haja contato com a cápsula lenticular e pode se desen­volver rapidamente. Caso a cápsula se mantenha íntegra a catarata pode se desenvolver após meses e até anos.

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Figura 7: Catarata Traumática

TRATAMENTO DA CATARATA

O tratamento curativo da catarata é o cirúrgico e con­siste em substituir o cristalino opaco por prótese denomi­nada de lente intra-ocular (LIO).

A evolução da catarata geralmente é bilateral com certa assimetria, daí a importância da realização da cirurgia do segundo olho para recuperação integral do sistema visual.

A cirurgia de catarata é realizada sob anestesia local (absolutamente indolor) sem a necessidade de internação hospitalar. Para a recuperação visual do portador de cata­rata se faz necessária a retirada do cristalino opaco e o implante de uma lente intra-ocular. A qualidade de visão com a lente intra-ocular é muito superior àquela com ócu­los ou lentes de contato. Por isso, o implante da lente intra-ocular é feito de rotina atualmente.

A técnica cirúrgica mais moderna consiste da remoção do cristalino por micro fragmentação e aspiração, num processo chamado faco-emulsificação com implante de lente intraocular. Após a retirada completa do cristalino danificado, é implantada uma lente artificial, em geral de acrílico.


CONCLUSÃO

A catarata é a principal causa de cegueira no mundo, embora tenha tratamento por meio de intervenção cirúr­gica é necessário o diagnóstico correto do profissional da saúde para melhor indicação de correção visual e melhorar a qualidade de vida do paciente até a indicação da cirurgia.


REFERÊNCIAS

Kara-José N, Arieta CEL, Temporini ER, Kang KM, Ambrósio LE. Tratamento cirúrgico de catarata senil: óbices para o paciente. Arq Bras Oftalmol 1996.

Kara-José N, org. Prevenção de cegueira por catarata. Campi­nas: Editora da UNICAMP; 1996.


 

Professor Sergey Cusato Jr OD MSc Vis Sci, FIACLE, FIBTPLC, ALOCM

Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato.

Director Brazilian Institute of Training and Contact Lenses Research.

Director da Associação Latino Americana de Ortoqueratologia

Specialist in the areas of Primary Care and Contact Lenses at Nova South­easten University College of Optometry.

Optometrist CROOSP00000005

 

 

 

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