PTERÍGIO E SUAS ALTERAÇÕES
Professor Guilherme Cassiano, Renato Aparecido Ram
Professor Guilherme Cassiano, Renato Aparecido Ramos
pterigio, optometria
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Conteúdo do artigo

O pterígio é uma alteração do tecido da conjuntiva que avança sobre a córnea, geralmente do lado nasal. Trata-se de uma resposta do olho a um processo de irritação ocular crônica, em que a exposição à luz solar e ao vento têm um papel importante. A conjuntiva é o tecido que cobre a parte branca do olho, chamada de esclera. Por algum motivo, esse tecido se espessa, fica mais vascularizado e cresce sobre a córnea, que é a parte transparente do nosso olho.

O pterígio é mais comum em pacientes com muita incidência de luz solar, próximos da linha do equador, e em pessoas que trabalham expostas ao sol. Ocorre com mais frequência em homens a partir dos 30 anos que não se protegem adequadamente do Sol.

 Vemos que o principal fator de risco para o surgimento do pterígio é a radiação solar. Mas também há um fator genético, individual, onde pessoas que não se expõem tanto ao vento e ao sol, podem também vir a desenvolver a alteração.

 

Evolução do Pterígio

Podemos classificar o Pterígio em 4 estágios:

Pterígio grau I: observa-se a manifestação de uma hiperemia localizada no canto da córnea, e o tecido da conjuntiva já começa a demonstrar sinais de espessura e o direcionamento das fibras em direção a córnea.

Pterígio grau II: Os vasos se toram mais grossos, o tecido assume o formato de um delta voltado o ápice para a córnea e então o já é possível observar a conjuntiva se colocando sobre o limbo.

Pterígio grau III: A hiperemia torna-se constante onde está localizado o pterígio, é possível ver bem defina sua forma e ele já se encontra posicionado entre o limbo e a pupila. Neste estágio já pose ser possível observar miras distorcidas no ceratômetro e um astigmatismo residual proveniente da tração mecânica da alteração.

Pterígio grau IV: No estágio final do pterígio além da hiperemia, o paciente sente o corpo estranho, e começa a ter problemas visuais relacionados. O pterígio chega na borda da pupila causando uma distorção astigmática e em alguns casos bloqueio parcial da passagem de luz.

O processo de evolução varia de pessoa para pessoa e pode levar meses ou anos para chegar em sua etapa final.

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Figura 1 – Miras ceratométricas Distorcidas.


Sintomas

Além do olho vermelho, o pterígio causa sensação de corpo estranho, lacrimejamento, ardor ocular, sensação de areia e olho seco. O pterígio não leva à perda da visão; sua presença pode provocar alterações da córnea, com aparecimento de astigmatismos elevados, que muitas vezes não são corrigidos pelos óculos, pois podem a vir se tornar astigmatismos irregulares. Lembrando que paciente com pterígio é contraindicado o uso de qualquer tipo de lente de contato, pois em alguns casos o contato direto da lente com o pterígio pode levar a uma lesão mais proeminente e a aceleração da evolução do pterígio, sem contar que pode causar mais complicações devido a olho seco secundário.

Comumente os pacientes relatam estar usando colírios vasoconstritores com frequência para a redução dos sinais da hiperemia, mas os oftalmologistas não recomendam usar por muito tempo estes medicamentos. Em caos mais leves recomenda-se a prescrição de lagrimas artificias, para a estabilização da película lacrimal, pois como o pterígio é uma elevação da conjuntiva, isto faz com que a película da lagrima se rompa com mais facilidade. Paciente com Pterígio costumam ter resultados no teste de BUT alterados. O Rompimento precoce da película leva a recorrentes ceratites superficiais, observadas na biomicroscopia.
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Figura 2 – Pterígio grau IV


Como Prevenir

Pessoas que trabalham ao ar livre, expostas ao sol, vento, poeira, têm mais chance de desenvolverem pterígio. Uma medida preventiva de grande importância é o uso de óculos de sol para proteção contra a radiação ultravioleta (UVA e UVB). Pessoas que andam de moto, ou mesmo de carro, devem evitar que o vento atinja diretamente os olhos, causando ressecamento e irritação crônica. O Tabagismo também deve ser evitado pois a fumaça proveniente do cigarro causa um ressecamento da lagrima e em casos crônicos pode levar ao aparecimento do pterígio. O uso de lágrima artificial nestes casos é aconselhável, desde que sejam acompanhadas por uma prescrição.

 

Tratamento

 

Nos estágios iniciais, pterígio grau I ou II, recomenda-se o uso de lagrimas artificias, uso de óculos com proteção UVA e UVB e prevenção de agentes externos que podem afetar o pterígio. Quando o pterígio atinge o grau III ou IV, o oftalmologista então recomenda a cirurgia. A cirurgia do pterígio é feita em centro cirúrgico, com anestesia local (ou seja, a pessoa fica acordada e não recebe anestesia geral), dura em média 15 a 30 minutos, e a pessoa vai para casa no mesmo dia e com curativo no olho. Nos primeiros dias, o olho fica vermelho e irritado e com o uso dos colírios vai voltando ao normal em algumas semanas.

guilherme 3.jpgFigura 3 – Retirada Cirúrgica do Pterígio


Cada cirurgião deve definir a técnica cirúrgica do pterígio. Em todas elas, realiza-se a retirada total do pterígio, a diferença é no que é colocado no local onde havia o pterígio. Na técnica mais simples, não coloca-se nada no local. Na técnica mais utilizada coloca-se uma parte de conjuntiva retirada de outro local do olho (transplante de conjuntiva). Em outra técnica, coloca-se um tecido chamado membrana amniótica (transplante de membrana amniótica) que é um tecido retirado da placenta e processado em laboratório especializado. A colocação desses tecidos ou enxertos (conjuntiva ou membrana amniótica) visa diminuir a chance do pterígio voltar. Em geral é necessário dar pontos na cirurgia de pterígio, para fixar os “enxertos” (conjuntiva ou membrana amniótica) colocados. No entanto, em alguns lugares, já é usado uma cola biológica que gruda esses enxertos e evita a necessidade dos pontos. Isso é a cirurgia de pterígio sem pontos.

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Figura 4 – Antes e depois da Cirurgia.

Vale ressaltar que a cirurgia, não pode ser considerada um método defnitivo, pois em alguns casos existe a reincidencia do pterigo, não por que a cirurgia não deu certo e sim pois o paciente mesmo após a cirurgia continua exposto a situações que causam uma lesão cronica na conjuntiva, fazendo com que assim o pterigio possa voltar novamente.

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Prof. Guilherme Cassiano
Professor no Instituto Brasileiro de Pesquisa e Treinamento em Lente de Contato - IBTPLC
Especialista em Cuidados Primários e Lente de Contato – IBTPLC - SP
Pós-Graduado em Optometria Avançada – UBC
Bacharel em Optometria – UnC
Técnico em Óptica e Contatologia – Instituto Filadélfia - SC
Membro do Conselho Brasileiro de Ótica e Optometria.
Membro do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lente de Contato – IBTPLC - SP
Contato: contatologia.optometria@yahoo.com
Site: 
www.ibtplc.com.br


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Renato Aparecido Ramos
Formado em Técnico em Óptica - SENAC - SP.
Graduado em Óptica e Optometria Pela Universidade Braz Cubas - UBC.
Pós graduado em Optometria Avançada pela Universidade Braz Cubas - UBC.
Especialista em Cuidados Primários e Lente de Contato – IBTPLC - SP.
Membro do Conselho Brasileiro de Óptica e Optometria
Membro do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato - IBTPLC.
Contato: renato.opto@hotmail.com
Site: www.ibtplc.com.br


Referencias Bibliográficas

- ÁVILA, Marcos; LAVINSKY, Jacó; MOREIRA, Carlos Augusto. Série oftalmologia brasileira retina e vítreo. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2008.

- CULLOM, R.Douglas; CHANG, Benjamin. MANUAL DAS DOENÇAS OCULARES. 2. ed.  Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1998.

- KANSKI, Jack J. . OFTALMOLOGIA CLINICA. Uma abordagem sistemática. 5ta edição. ELSEVIER. 2004.

- KANSKI, Jack J. ; NISCHAL, Ken K. Oftalmologia: sinais clínicos e diagnósticos diferenciais. São Paulo: Manole, 2000.

- SALLUM, Juliana M. Ferraz. Bases da Oftalmologia. Rio de Janeiro: Cultura médica, 2008.

- VAUGHAN, Daniel G.; ASBURY, Taylor; RIORDAN-EVA, Paul. Oftalmologia geral. 4. Ed. São Paulo: Atheneu, 1997.

 

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